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Sunzinha!


-Tardi, Dotô. -Boa tarde. -O que está acontecendo? -Ai, Dotô! Mi dá umas dor aqui nu estromagu, beeem lá nu fundinhu. -E o que você faz? -Tem veiz que eu cantu, trasveiz eu vô pra cunzinha fazê um bolu. -Tem outra dor? -Tenhu, pertu dus óio. -E essa é forte? -É forte não. Quandu ela dá eu cunversu cas vizinhas i passa. Eu também tenho uma dor nu meio das custela. Dá uns apertu nu coração. I aí tem veiz qui eu choru, trasveiz eu vô pra pracinha vê as criança brincá. -Você mora com alguém? Sô sunzinha nessi mundão. Eu vim pra Sum Paulu tentá a vida. -E o que você faz? -Óia, Dotô: eu já trabaiei com limpeza, já cuidei di criança, já trabaiei numa casa di genti rica, sei cuzinhá… agora eu trabaio cuma mocinha que avua num avião di dia i di noiti. Aí eu ficu sunzinha i ela dexa eu drumi num quartinhu. -O que a senhora tem Dona Clara, chama-se solidão. -I issu mata, Dotô? -Ás vezes, sim. Mas, no seu caso bastam amigos, alguns remédios e um pouco de carinho. Dona Clara, estamos precisando de alguém que no ajude la em casa. Que tal morar conosco? -Dotô, é anssim como tê famia, né? -Quase. Dotô? Eu num vô mais senti essas dor? -Vamos combinar uma coisa: o dia que sentir essa dor você me procura, prá modi nóis trocá dois dedinhu di prosa.



 
 
 

1 comentário


neideflorvirtuosacherosa
18 de set. de 2022

Conheci seus textos um dia desses,eu amei um que fala do tempo 60 70 80. Como eu fiquei feliz. Eu sinto uma solidão tão forte que tem.dia que parece que eu vou morrer.

Eu choro tanto, mais só alivia um pouco.

É bom ler seus textos. Faz a gente se sentir bem.

Eu já era assim a muitos anos,mais depois que perdi minha mãe no ano passado dia 7 de abril por causa do Covid, eu nunca mãos consegui voltar como eu era antes.

Sinto muita falta dela.

Vou a igreja todos os finais de semana, sou evangelicas,mais mesmo assim eu ainda não consegui superar essa dor.

Ultimamente tenho sentido uma dor no peito, falta de ar a pressão alta,uma…

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